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A Matança de focas no Canadá
Maria Helena Santini di Sessa
É com repúdio e indignação que abordaremos um assunto que já foi veiculado aqui
no Brasil e em outros paises através da internet e em alguns canais de tv: a matança
das focas no litoral canadense.
Depois de assistir o vídeo, onde pudemos assistir o cruel espetáculo do extermínio
desses animais tão dóceis, resolvi mandar uma carta para a Embaixada do Canadá em
Brasília e para o Departamento de Pesca e Oceano daquele país.
Acusaram o recebimento da carta e ambas as instituições ridiculamente responderam
com o mesmíssimo e-mail: um em inglês (porque foi nesse idioma que eu escrevi minha
mensagem) e outra em português (logicamente porque foi enviada daqui mesmo do Brasil).
Nota-se que, pelo excesso de reclamações sobre esse assunto, eles têm uma carta
padrão e prontinha para responder aos grupos de defesa animal. Quanta criatividade!
Alega o Governo canadense que a venda das peles das focas para países como Noruega,
Dinamarca e China garante o sustento das comunidades costeiras.
Além das peles, se utilizam de outras partes do pobre animal para obter lucro.
Paul McCartney recusou-se a fazer seu show na China por causa da matança de cães
e gatos em mercados por causa de suas peles.
E é para esse país que o grandioso Canadá exporta peles de focas?
Qual é a diferença entre a conduta oriental representada pela China e a ocidental
representada pelo Canadá? Nenhuma! São ambos paises que permitem absurdos!
Como se fosse uma atenuante, os canadenses defensores da matança nas cidades
costeiras, tiveram a desfaçatez de tentar justificar a barbaridade, através da risível
alegação de que a população de focas no Canadá é saudável e abundante.
Ora, não seria este um bom motivo para deixar esses animais viverem e serem um
ponto de atração turística como são as focas que vivem em São Francisco, nos EUA?
Da mesma forma que se controla a natalidade de outros animais em cativeiro, se
a abundância se tornasse um problema, por que não usar o mesmo artifício?
Essa argumentação de que a matança é o ganha-pão dos litorâneos seria plausível,
se o Canadá fosse um pobre país africano, onde a população depauperada, com crianças
raquíticas dependesse desse extermínio para a própria sobrevivência.
Sabemos que em alguns países da África, também matam gorilas para fabricar cinzeiros
artesanais para a venda à turistas com as mãos do símio. Pasmem!
Em outros países africanos, permite-se a caça de elefantes, de tigres, e de outros
animais da selva a título de faturarem com safaris para imbecis que se orgulham
de matar e depois pendurar a cabeça do animal abatido em seus escritórios mórbidos.
Em outros porém, macacos são mortos para sanar a fome da população local que
não tem recursos nem mesmo para o cultivo de vegetais e criação de animais em cativeiro.
Mas o Canadá é um país rico! Será então que o governo de país rico não pode subvencionar
a população costeira para que ganhem a vida de outra forma menos hedionda?
O mesmo Oceano Atlântico que banha o litoral canadense, banha muitos estados
americanos. Da costa do Maine às praias da Flórida, existem milhões de cidadãos
americanos que vivem do mar, seja através da pesca, seja através do turismo, seja
através de artesanato.
Por que os canadenses costeiros não podem viver de pesca e de produtos advindos
dessa atividade? Será que os pescadores canadenses são menos eficientes que os dos
outros paises?
Será que os Estados Unidos colocaram uma enorme rede ao norte do Maine que impede
que peixes nadem em direção às águas canadenses e por esse motivo matam focam ao
invés de pescar? Se essa quilométrica rede foi instalada, penso que este é um caso
para ser discutido na OTAN!
Por que faço chacota dentro de um assunto tão sério? Porque fica cômico quando
tentam justificar que este é o único meio de vida dos pobres moradores da costa
leste canadense!
Não importa a nós, defensores da vida animal, se os assassinos de focas têm quotas
estabelecidas pelo Governo. Isso não altera em nada o brutal panorama.
Não satisfaz nosso espírito de piedade, o tal relatório da Associação Canadense
de Médicos Veterinários que conclui que a maior parte das focas capturadas durante
a caça (98%) são abatidas sem crueldade. Isso é uma deslavada mentira! O vídeo que
temos arquivado nos nossos computadores desmente essa afirmação de forma categórica.
Mesmo pessoas que não tem grande ligação emocional com a causa animal ficaram
chocadas com as cenas dantescas.
Essas imagens são como uma tomografia que retrata fielmente um câncer moral do
Canadá e continuarão a ser divulgadas para os que ainda não têm conhecimento da
barbárie.
Sempre tive vontade de conhecer o Canadá. Outras pessoas que conheço também.
É interessante constatar que, depois de estarmos cientes do que acontece no litoral
canadense com a conivência do governo, decidimos mudar o destino turístico.
Certamente nós conseguiremos convencer muitos outros turistas a não ir ao Canadá
e temos certeza de que as chocantes imagens espalharão a anti-propaganda em progressão
geométrica enquanto medidas humanas e efetivas não forem tomadas.
Prezada Silvia,O Ministério de Pesca e Oceanos do Canadá já respondeu meu e-mail
na semana passada e por uma coincidência do destino, com uma carta idêntica a sua,
só que evidentemente em inglês.
Duas questões ficaram bem claras para mim:
- que a posição do Canadá é irredutível com relação a apoiar o extermínio
das focas para que o Governo se livre do problema de como sustentar aquelas
famílias que vivem no litoral.
Como eu já respondi ao Ministério, as populações costeiras dos outros países
vivem da pesca, do artesanato e do turismo. Será que a população da costa canadense
é menos criativa? Sem problemas: podemos mandar nossos pobres e mirradinhos
caiçaras passar algumas semanas por lá ensinando a tecer cestas, fazer vasos,
quadros, luminárias, etc. Ou talvez será que peixes e crustáceos não nadam e
vivem naquela parte do Atlântico? A OTAN é o órgão a quem fazer queixa no caso
dos EUA terem posto uma rede quilométrica que impede os peixes de nadarem mais
ao norte do Maine. Esse argumento
de que é a população de focas é abundante e saudável não é justificativa para
a matança de animais dóceis e inocentes. Se abundância fosse desculpa, a China
deveria eliminar quotas de sua imensa população, boa parte da população carcerária
de São Paulo deveria receber injeção letal para acabar com a super-lotação
e as favelas do Rio de Janeiro deveriam ter seus habitantes abatidos a tiros
uma vez ao ano.
- a segunda questão é que fica muito feio vocês mandarem uma carta padrão
previamente redigida para quem escreve com uma preocupação real como a nossa.
No mínimo vocês demonstram duas coisas: a primeira é que muita gente deve se
indignar com essa matança (e daí o 1º motivo de já ter uma carta pronta para
"acalmar os ânimos desse pessoal chato que gosta de animais") e a segunda é
que vocês não querem perder tempo com gente que defende o meio-ambiente e mandam
uma cartinha prontinha cheinha de frases chavão para tentar convencer os tolos
da "nobreza de ideais" que existe por trás daquela chacina.
Canadá não é nosso país e talvez por esse motivo, não temos o direito de interferir
na forma como o Governo estimula o "ganha-pão" da população costeira.
Mas o Canadá é referência de país moderno e quiçá tido como um Shangrilá das novas
oportunidades, e portanto não pode se esquecer de uma coisa muito simples: atos
como aquele estimulam ações parecidas em outras partes do planeta com menos recursos
financeiros, que verão na caça e na violência contra os animais, um meio fácil de
subsistência provocando dessa forma um grande desequilíbrio ambiental no futuro.
Atenciosamente,
Maria Helena Santini
From: Maria Helena
Sent: April 13, 2005 3:49 PM
To: Undisclosed-Recipient:;
Cc: ctc_feedback@businteractive.com;
consular@canada.org.br;
Min@dfo-mpo.gc.ca;
info@dfo-mpo.gc.ca;
ctx_feedback@ctc-cct.ca
Subject: Shameful Seals' slaughter
Dear Sirs,
It's been going largely public through Internet here in Brazil, a video which shows
the cruel slaughter of baby seals in your country.
The Canadian Government says that the hunt brings income to its coastal communities
from pelt sales to Norway, Denmark and China.
Canada's Department of Fisheries and Oceans says the country's seal population is
healthy
and abundant, and based on this statement, I and millions of horrified people would
like to ask:
IS REALLY BARBARIC SEAL SLAUGHTER THE ONLY WAY COASTAL INHABITANTS HAVE TO SUPPORT
THEMSELVES?
Hard to believe, since Canada is way too far from being a poor resourceless country.
For Goodness sake! Atlantic Ocean and it's huge fishery contents is right in front
of them!
We think that, each country has it's own shameful sores.
Here in Brazil, we have many, due the fact we've got a lousy income distribution.
But, thanks God, we don't have docile defenseless animals killing in a large scale
with government allowance.
That bloodshed is a Canada cancer and the time has come for the Canadian Government
root out that ugly tumour and extirpate it once and for all.
Your role in this deplorable play has been keep on standing with your powerful arms
crossed.
Ours, has been and more than ever, will be, keep on spreading the slaughter video
to the utmost and advise all the people of good sense, to avoid Canada as a humanitarian
touristic destination.
Regards,
Maria Helena Santini
São Paulo
Brazil
Prezada Senhora,
Agradecemos sua correspondência e comentários a respeito da caça às focas no Canadá
Atlântico.
Certamente respeitamos as posições pessoais em apoio ou contra a caça às focas.
No entanto, gostaríamos de convidar à leitura das considerações abaixo, e
em anexo, com o exame cuidadoso dos fatos. Esperamos que estas informações sejam
esclarecedoras à sua preocupação.
No Canadá, a população de focas da Groenlândia é saudável e abundante, quase triplicando
desde os anos 1970. Este crescimento é atribuído em grande parte às medidas rigorosas
de conservação estabelecidas pelo Ministério de Pesca e Oceanos do Canadá (MPO),
assim como ao nosso engajamento em favor do desenvolvimento durável de todas as
populações de focas.
No Canadá Atlântico, a caça às focas da Groenlândia e à foca-de-capuz foi praticada
no passado e continua sendo praticada hoje em dia. A caça às focas traz importantes
repercussões econômicas para as comunidades costeiras. As focas são um recurso natural
precioso e traz uma renda importante a cerca de 15.000 caçadores de focas canadenses
e às suas famílias, com a condição de que ela seja feita de maneira sustentável.
Em setembro de 2002, a Associação Canadense de Médicos Veterinários (ACMV) publicou
um relatório intitulado Special Report on Animal Welfare and the Harp Seal Hunt
in Atlantic Canada (Relatório especial sobre o bem estar dos animais e a caça às
focas da Groenlândia na região Atlântica do Canadá). Este relatório apresenta os
resultados de observações independentes sobre a caça às focas feitas pelos representantes
e veterinários da ACMV durante os últimos anos, comparando-as àquelas feitas pelos
representantes do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (IFAW). O relatório
da ACMV conclui que a maior parte das focas capturadas durante a caça (98%) são
abatidas sem crueldade.
No Canadá, desde 1987 é proibido caçar os filhotes das focas da Groenlândia (bebês
focas) e das focas-de-capuz. A regulamentação proíbe também negociar, vender ou
fazer troca de peles de bebês focas e de filhotes de focas-de-capuz.
As medidas de gestão de planos plurianuais (2003-2005) para a caça às focas do Atlântico,
são baseadas em princípios rigorosos de conservação, assim como em conselhos científicos
esclarecidos e avaliados por pares. As quotas são determinadas de maneira a respeitar
a principal prioridade, ou seja, a saúde e a abundância dos rebanhos de focas.
Para assegurar uma conservação adequada, o MPO continuará dando grande importância
à supervisão no mar e às inspeções nos cais; à supervisão das quotas; à verificação
das licenças apropriadas e das licenças de transformação dos caçadores de focas;
e assegurar-se que as práticas de caça sem crueldade sejam adotadas, que os Regulamentos
sobre os Mamíferos Marinhos sejam respeitados e que os instrumentos de caça sejam
utilizados de forma apropriada.
Reiteramos nosso agradecimento pela sua mensagem. Esperamos que as informações aqui
contidas respondam às suas perguntas e dissipem suas preocupações. Para maiores
informações, sugerimos visita à página http://www.dfo-mpo.gc.ca/seal-phoque//index_e.htm
Atenciosamente,
Silvia B. Reis
Assessora para Assuntos Educacionais e de Diplomacia Pública
Embaixada do Canadá, Brasília
Tel: (61) 424-5400 ramal: 3260
Fax: (61) 424-5490
Email: <silvia.reis@international.gc.ca>
silvia.reis@international.gc.ca
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